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Rocket Lab: a número dois do espaço quer crescer à sombra da SpaceX

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Rocket Lab: a número dois do espaço quer crescer à sombra da SpaceX

Rocket Lab: a número dois do espaço quer crescer à sombra da SpaceX

A SpaceX entrou em bolsa este mês e roubou todas as atenções. Mas há uma segunda empresa espacial cotada que vale a pena perceber, porque está a deixar de ser um nicho para se tornar algo maior.

Chama-se Rocket Lab. Se andas a ouvir falar dela e não sabes bem o que faz nem porque é que a ação anda tão agitada, este artigo é para ti.

Aviso já: isto não é uma sugestão de investimento. É uma leitura do negócio e do momento, com os números à frente e os riscos à vista.

O que é a Rocket Lab

É uma empresa espacial americana, fundada em 2006 pelo neozelandês Peter Beck, sediada na Califórnia. Faz duas coisas:

🚀 Lançamentos. Põe satélites em órbita. O foguetão pequeno dela, o Electron, é líder mundial no segmento de pequeno lançamento, com mais de 80 missões e mais de 250 satélites colocados em órbita.

🛰️ Sistemas espaciais. Constrói os próprios satélites, componentes e software. Não é só uma "transportadora", controla boa parte da cadeia.

A 26 de junho lançou o décimo satélite para a japonesa Synspective, chegando às 91 missões totais e ao 12.º lançamento só este ano. E entrou no índice Nasdaq-100 a 22 de junho, o que obriga fundos passivos a comprar a ação e dá visibilidade extra.

Os números do último trimestre

O primeiro trimestre de 2026 foi recorde, e os números explicam o entusiasmo:

🗓️ Receita: 200,3 milhões de dólares, mais 63,5% face ao ano anterior.

📦 Carteira de encomendas (backlog): 2,2 mil milhões de dólares. Mais do que duplicou em doze meses. Isto é dinheiro já contratado, à espera de ser executado.

📈 Margem bruta: 38,2%. Está a melhorar.

Até aqui parece só boas notícias. Mas falta a parte que a maioria dos artigos esconde:

A Rocket Lab continua a dar prejuízo. Perdeu 45 milhões de dólares no trimestre. A boa notícia é que o prejuízo está a encolher (era de 60,6 milhões no ano anterior). A menos boa é que parte do dinheiro em caixa veio de emitir mais ações, o que dilui quem já é acionista.

Para o trimestre seguinte, a empresa aponta para uma receita entre 225 e 240 milhões. Continua a crescer depressa.

Os três motores da história

Para perceber a Rocket Lab tens de olhar para três coisas ao mesmo tempo.

1. O Electron, que paga as contas hoje

É o foguetão que já voa e gera receita. A relação com a Synspective mostra bem o modelo: lançou os 10 satélites da constelação e já tem 17 lançamentos adicionais contratados para a próxima década. Cliente recorrente, receita previsível. A NASA também já a escolheu para três lançamentos Electron em 2027.

2. A defesa, o motor que ninguém esperava

Esta é a parte que mudou a história no último ano. Deixou de ser só lançamento comercial e passou a fechar contratos grandes com o setor da defesa americano.

🎯 Um contrato com a Space Development Agency vale cerca de 816 milhões de dólares. Somado a outro anterior, leva o total com esta agência acima de 1,3 mil milhões.

🎯 Há ainda contratos para testes de mísseis hipersónicos com a Anduril e uma seleção, em parceria com a Raytheon, para um programa de defesa antimíssil da Força Espacial dos EUA.

Quando o cliente é o Estado americano, os contratos são grandes e duradouros. É isso que dá solidez ao backlog.

3. O Neutron, a aposta que ainda não voou

Aqui está o verdadeiro motivo pelo qual a ação sobe e desce tanto.

O Neutron é um foguetão maior e reutilizável, capaz de levar 43 vezes a carga do Electron. É a peça que pode pôr a Rocket Lab a competir diretamente com o Falcon 9 da SpaceX, o cavalo de batalha do setor.

O primeiro voo está previsto para o último trimestre de 2026. E a empresa já assinou cinco contratos comerciais antes de o foguetão sequer ter voado.

Repara no ponto importante: a receita a sério do Neutron só deve aparecer em 2027 e 2028. O mercado está a pagar hoje por uma promessa de amanhã.

A sombra da SpaceX

Não dá para falar da Rocket Lab sem falar do elefante na sala.

A SpaceX entrou em bolsa a 12 de junho, avaliada em 1,75 biliões de dólares, na maior estreia da história. No dia, arrastou todo o setor para baixo, incluindo a Rocket Lab.

A leitura dos analistas é interessante. Vários passaram a chamar à Rocket Lab "o claro número dois" do espaço. Ser o número dois a seguir ao gigante pode ser uma posição muito confortável, se souberes ocupá-la. O problema é que viver à sombra do número um também significa apanhar com as ondas que ele faz.

Os riscos, ditos com todas as letras

Esta é a parte que separa uma análise de um anúncio.

⚠️ A avaliação está esticada. A ação subiu cerca de 280% num ano. O preço-alvo médio dos analistas está praticamente colado ao preço atual. Por outras palavras: o mercado já assume que quase tudo vai correr bem.

⚠️ O Neutron pode atrasar-se. Foguetões novos atrasam-se com frequência. Um atraso ou uma falha no primeiro voo tira a principal razão para a ação valer o que vale hoje.

⚠️ Ainda dá prejuízo e dilui acionistas. Enquanto não for lucrativa, vai continuar a financiar-se com emissão de ações e dívida convertível.

⚠️ O setor anda em bloco. Quando uma empresa espacial cai, arrastam-se quase todas, mesmo que o negócio de cada uma não tenha mudado nada.

⚠️ Os insiders têm vendido. Nos últimos doze meses, os gestores da empresa venderam mais ações do que compraram. Não é prova de nada, mas é um dado que não se ignora.

A lição que fica

🧠 A Rocket Lab é um bom caso de estudo de uma empresa em transição: deixou de ser uma promessa de garagem e tornou-se num negócio real, com receita a crescer, contratos de defesa e uma carteira de encomendas sólida.

Mas o preço da ação não paga o negócio de hoje. Paga o negócio que pode existir em 2028, se o Neutron voar, se os contratos se transformarem em receita, se a execução correr bem.

Isso não a torna boa nem má. Torna-a uma história de alto risco e alta volatilidade, daquelas que mexem 5% ou 10% com um único título de jornal. Não é para todos os perfis, e não tens de ter uma opinião sobre tudo o que sobe.

O exercício útil aqui não é decidir se compras. É treinar o olhar: separar o que a empresa já é do que o mercado espera que ela venha a ser. Essa distância entre o presente e a expectativa é onde mora o risco.


⚠️ Isto é apenas conteúdo educativo e não constitui uma sugestão ou aconselhamento de investimento. Deves fazer a tua própria análise. Performance passada não garante performance futura. Investir em ações individuais, sobretudo em empresas que ainda não dão lucro, envolve risco elevado de perda de capital.

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